No altar do Fogo by Nuno Hipólito

By Nuno Hipólito

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O que dissemos quanto ao poema I confirma-se plenamente agora. De outro modo não se justificaria que Caeiro continuasse a falar de tristeza, quando era óbvia a sua intenção de se livrar das emoções. Se ele não deixou para trás a tristeza, é porque a tristeza lhe é um estado útil, meditativo, que lhe permite analisar a natureza e a si mesmo, com vista a atingir um estado de paz total. Não somos nós que o dizemos, é Caeiro: “Se eu pudesse trincar a Terra toda (…) eu seria feliz um momento (…) mas eu nem sempre quero ser feliz.

Jacinto Prado Coelho, Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa, Verbo, pág. 31-32). 79 A sua natureza de homem fará com que ele sempre seja um estranho à Natureza se insistir em lutar contra ela, compreendendo-a. Quem compreende não vive, como quem observa não participa. Caeiro parece aperceber-se finalmente disso: “Quando o verão me passa pela cara (…) só tenho de sentir agrado porque é brisa (…) ou desagrado porque é quente (…) de qualquer maneira que eu o sinta”. Aceitar a Natureza em si é ser aceite na Natureza.

Cf. ª parte, Europa-América, pág. 135). O piano parece aqui ser uma referência simbólica à mãe de Fernando Pessoa, pois o texto do Livro do Desassossego é sobre a sua infância perdida. Ela tocava piano e ele recorda essas notas tocadas na casa grande de infância – liga-as de maneira indelével ao passado. Como recusa a necessidade do piano, recusa a necessidade da memória do piano (da própria mãe a tocá-lo, no que isso teria de reconfortante). “Para que é preciso ter um piano? / É melhor ter ouvidos / E amar a natureza”, é um lamento triste em que Pessoa parece recusar a memória reconfortante do amor da sua mãe, que apenas recorda, para o substituir por outro que não possa desaparecer por ser eterno – o amor da natureza.

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